segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Prototype

Depois que se esgotaram praticamente todas as idéias para se copiar o estilo aberto da série "Grand Theft Auto", parece que o jeito é colocar super-poderes e elementos fantásticos na mistura. "Prototype" é um jogo nesses moldes, que por vezes lembra "Crackdown" ou "Spider-Man: Web of Shadows", ao disponibilizar um protagonista repleto de habilidades especiais solto em um cenário aberto e louco para causar um estrago.

O nome do tal sujeito é Alex Mercer. Sem memória, ele acorda na mesa de autópsia do necrotério de um grande laboratório e descobre possuir poderes assustadores. Claro, resolve logo ir atrás dos responsáveis, se enfiando em uma história repleta de personagens sombrios e algumas reviravoltas.

O rapaz é confuso, mas nem de longe é indefeso. Na verdade, Mercer é o personagem mais poderoso do jogo, talvez poderoso até demais. Para se ter uma idéia, ele não precisa escalar prédios; ele simplesmente sai correndo pelas paredes sem o menor esforço. Precisa fatiar inimigos? Basta transformar os braços em lâminas gigantescas. Destruir tanques? Basta atirar carros contra os veículos ou transformar seus punhos em martelo.

Dá até para tirar onda e imitar a forma dos inimigos para abordagens mais discretas, ainda que sutileza não seja o forte do jogo. O negócio é causar destruição e mortes a todo o instante, sem o menor remorso.

Como Alex é tão poderoso, o jeito encontrado para criar desafio foi lotar a tela com inimigos. Há uma infinidade deles. São tantos, na verdade, que muitas vezes você não tem muita noção de quem está acertando, mesmo com a mira travada em algum oponente específico. Quando o protagonista precisa adquirir pistas, ele "consome" inimigos, mas algumas vezes fica até difícil encontrar alguém em um cenário repleto de monstros, soldados, tanques e coisas voando pelos ares.

A aventura de Mercer se passa na ilha de Manhattan, isolada depois de um atentado terrorista que transforma os moradores em mutantes com sede de sangue. Ali é o palco principal para as dezenas de missões do enredo do game, além dos objetivos extras que garantem mais experiência ao jogador para comprar obrigatórios upgrades.

Bayonetta

"Bayonetta" é o novo game de Hideki Kamiya, designer de "Viewtiful Joe" e outros games famosos para a Capcom, que hoje é co-diretor do estúdio Platinum Games, de "MadWorld" e "Infinite Space". De certa maneira, o lançamento é uma evolução de seu maior sucesso na antiga empresa, "Devil May Cry", com elementos remodelados e aperfeiçoados.

Nova musa

A tal Bayonetta é uma voluptuosa bruxa que se envolve em uma trama maluca sobre uma guerra celestial em uma cidade fictícia da Europa e utiliza maneiras bastante excêntricas para destruir inimigos. Sua roupa, por exemplo, tem a tendência de se desfazer durante os combates e deixá-la nua, já que o tecido é criado em tempo real por seu próprio cabelo, que também pode se transformar em punhos gigantes, monstros gigantes e outras formas de grande utilidade.

Bayonetta também conta com dois pares de pistolas. Duas destas armas ficam acopladas aos saltos de suas botas, para combos acrobáticos em que disparos se mesclam com socos, chutes e piruetas. Os outros itens e acessórios que surgem são igualmente estranhos - imagine abrir uma porta com uma chave gigante ou enfrentar anjos com um trombone - e criam uma surpresa atrás da outra. Aliás, surpresas é o que não faltam no game.

O clima de insanidade é com certeza um de seus maiores trunfos. Como em alguns dos melhores exemplares de animês pastelões, "Bayonetta" não parece ter medo do ridículo e faz piada com tudo no melhor estilo japonês. Todos os personagens são excêntricos, munidos de roupas espalhafatosas e diálogos repletos de chavões e clichês. Os inimigos e situações nunca parecem se encaixar direito e deixam espaço para que os absurdos tirem a ação do lugar comum que muitos jogos parecem se acomodar. Até mesmo a nudez da personagem faz parte da brincadeira e, de certa forma, tira sarro de outras heroínas avantajadas dos games que abusam de roupas de stripper e se comportam como freiras.

A heroína é desinibida, mas é certo que a proposta passa longe do pornográfico. É pura sátira. As situações, reviravoltas e o comportamento dos personagens são tão absurdos e exagerados que não dá para levar nada a sério. É um game que joga de lado as convenções atuais do gênero de ação em terceira pessoa, numa tentativa de fugir do marasmo conceitual que hoje reutiliza sem dó sujeitos carrancudos repletos de armas gigantes em alguma missão épica por aí.

Claro que a abordagem não daria certo se as fundações do jogo não fossem sólidas. Kamiya foi inteligente e utilizou a mecânica básica de "Devil May Cry" para dar forma ao funcionamento de sua nova empreitada. O combate é bastante parecido, repleto de golpes que se emendam em combos, chefes gigantes e até conta com o suporte de uma loja para aquisição de itens e armas.

As novidades, no entanto, são muitas. No momento exato em que um inimigo está para acertar Bayonetta, por exemplo, é possível se esquivar para ativar o Witch Time, que coloca tudo em câmera lenta e abaixa a guarda dos inimigos para um contra-ataque. Há também um movimento de tortura que pode ser acionado quando uma barra especial está cheia, o que evoca equipamentos como guilhotinas e damas de ferro para finalizar inimigos.

Todas as mortes e destruição de certos objetos - além de um minigame - garantem o acúmulo de auréolas (que mais parecem os anéis da série "Sonic the Hedgehog") que servem como moeda no game. Bayonetta também pode coletar materiais para criar itens que melhoram seus golpes ou recuperam sua energia, entre outras facilidades.

Há muito conteúdo a ser habilitado, descoberto ou comprado durante a trama. Tanto que é preciso revisitar a aventura para adquirir auréolas suficientes para adquirir roupas especiais e outros itens de interesse. Isto, aliado a um esquema de pontuação por notas, aumenta a vida útil do game de forma dramática.

O aspecto técnico do jogo segura a onda e mantém a ação sempre variada e em alta rotação, com controles extremamente precisos. A apresentação não chega a ser de deixar o queixo no chão, mas é suficiente para dar vida aos delírios de seus criadores. Os modelos são detalhados e apresentam degradação de acordo com os ataques sofridos e os cenários apresentam partes destrutíveis, entre outras minúcias. A animação é de primeira, com movimentos bizarros e piruetas bastante reveladoras por parte da protagonista.

O áudio é igualmente adequado e conta não só com uma dublagem de primeira em inglês, mas com uma trilha sofisticada que consegue pontuar bem todos os momentos da narrativa. Há espaço até para incluir um remix de "Fly Me to the Moon", canção dos anos 1950 imortalizada por nomes como Johnny Mathis e Frank Sinatra e que também já fez parte da trilha do popularíssimo animê "Neon Genesis Evangelion".

Saw

Tão certo quanto o Natal ou o Carnaval, um novo filme da série "Jogos Mortais"chega aos cinemas no fim do ano e a Konami resolveu finalmente lançar "Saw: The Videogame", uma espécie de capítulo perdido da franquia feito sob supervisão de James Wan e Leigh Wannell, criadores da saga.

O game é uma aventura 3D que pretende se tornar uma nova referência no gênero de horror de sobrevivência e fazer par com "Silent Hill", outra grande marca da empresa japonesa. Assim, a mecânica mistura combates e resolução de enigmas, com muitos sustos e coleta de pistas para se chegar ao final da jornada, com direito até a múltiplos finais.

Nostalgia do terror

O roteiro volta ao passado da mitologia e recorre ao detetive David Tapp, interpretado no primeiro filme por Danny Glover. O ator, famoso por sua parceria com Mel Gibson na série "Máquina Mortífera", não participou da produção do game e foi substituído pelo razoável Earl Alexander, veterano de jogos como "Left 4 Dead". Já Tobin Bell, intérprete do maníaco Jigsaw, participa do jogo e brilha com sua voz onipresente, tanto em sinistras narrações de eventos quanto em descrições de armadilhas.

Tapp, que leva um tiro no cinema e depois é dado como morto, reaparece preso em um asilo abandonado. O local foi totalmente reformulado por Jigsaw para abrigar várias armadilhas fatais. Outras vítimas presas no antigo hospital estão ligadas a máquinas sádicas (como a famosa armadilha de urso reversa) e são levadas a caçar o policial depois que o vilão informa que uma chave-mestre está escondida em seu corpo.

O detetive precisa então enfrentar os desesperados que saem de todos os cantos enquanto busca pistas a respeito do passado do maníaco e resgata outros prisioneiros - incluindo personagens dos filmes, como Amanda, a ex-viciada em drogas que tem papel proeminente nos primeiros exemplares da série cinematográfica.

O enredo segue as mesmas reviravoltas, convenções e tiques dos últimos exemplares para cinema da série. Há um esforço tremendo para encaixar todas as marcas registradas da franquia em uma história compacta, de clima exageradamente sério, o que deixa tudo um pouco confuso para aqueles que não são familiarizados com a mitologia. Já os fãs devem se divertir bastante com algumas pistas extras dadas pelo script que fortalecem eventos somente citados na tela grande.

Na parte técnica Encarar armadilhas e buscar respostas para enigmas é um trabalho interessante e que mantém o suspense em alta, afinal, você nunca sabe se uma porta pode esconder uma escopeta capaz de explodir os miolos de seu personagem. Com a música alta, cenários escuros e desafios bem posicionados, o jogo consegue recriar fielmente o clima dos filmes.

A mecânica se divide basicamente em duas partes, com minigames que servem para desarmar as armadilhas menores, em eventos que pedem raciocínio lógico, a exemplo daquele de encaixar as válvulas para levar água de um ponto a outro da tela em "Bioshock". As maiores funcionam com os chefes de fase e requerem mais atenção, com um nível de complexidade (e sadismo) maior, a segunda parte da mecânica, o combate não difere muito dos outros survivors e mantém a média, Saw é um jogo mais que indicado para os fãns dessa famosa série dos cinemas

Assassin's Creed 2

Em 2007, "Assassin's Creed" chegou cercado de muita publicidade e dividiu opiniões de críticos e fãs. Com produção requintada e toques de ficção científica, o jogo apresentou muitos momentos de ação com uso de técnicas do Parkour para mover o protagonista através de muros, telhados e torres dos grandiosos cenários passados durante o século XII, assim como muitos combates furtivos.

O game fez sucesso, mas não foi uma unanimidade graças a uma série de limitações mecânicas e a constante repetição de objetivos e missões. Agora, "Assassin's Creed II" surge com poucas novidades estruturais, mais preocupado em corrigir os defeitos do original e ampliar seu alcance. Diante da proposta, o novo game faz bonito e supera o anterior em todos os sentidos.

A história da franquia gira em torno do mocinho Desmond Miles, um sujeito comum nos dias de hoje que tem nas veias o sangue de grandes assassinos. Em "Assassin's Creed" ele conseguiu ver o passado de um de seus ancestrais, o furtivo Altair, que enfrentou uma grande conspiração no Oriente Médio. A descoberta das ações de Altair pode ser a chave para salvar a humanidade.

O novo jogo continua do ponto em que o anterior parou, depois de um final aberto e abrupto que ficou entalado na garganta de muitos fãs durante todo esse tempo. Miles ainda tenta entender seu papel em toda a confusão que se meteu e agora se vê forçado a absorver as memórias de um outro assassino de sua linhagem, que vive na Itália, 300 anos depois da aventura de Altair.

O novo protagonista é Ezio Auditore, jovem da nobreza de Florença que vê sua família ser traída e resolve vingá-la. Em plena Renascença, o sujeito tem apoio de ninguém menos do que Leonardo da Vinci para traduzir cartas e construir bugigangas que podem ajudá-lo em sua missão pessoal e suas ramificações em uma trama bem maior e sinistra. O novato se envolve com ordens secretas, cortesãs, mercenários, políticos corruptos e várias outras figuras enquanto viaja pelo país, em ações que também passam por locais como Veneza e Toscana.

O roteiro com certeza trata com mais carinho seus personagens, com melhor construção e desenvolvimento do que visto no game original. Embora clichês apareçam aos montes, é um trabalho melhor elaborado e que finalmente dá ideia de onde a franquia quer chegar, com direito até a alguns momentos cômicos bem posicionados -- especialmente o que envolve a aparição de uma figura que lembra bastante um certo encanador de macacão vermelho.

Maior e melhor

A mecânica do jogo pouco mudou em relação ao anterior. O usuário deve andar pelas ruas e interagir com personagens controlados por computador. Entre soldados e transeuntes, há aqueles que dão missões e outros que podem dar abrigo ao herói caso alguma de suas ações dê errado. Quando necessário, é possível escalar praticamente qualquer construção ou obstáculo colocado no caminho enquanto briga, mata ou rouba seus oponentes.

Há um motivo para tudo, claro. Agora a continuação apresenta uma maior variedade de missões, que podem ser de assassinato, intimidação, coleta de informações, entre outros objetivos. E há também mais ajuda para passar por tudo isso graças à presença de médicos que vendem itens de cura, ferreiros que fornecem armas e armaduras, entre outras presenças bem-vindas.

Para pagar por isso tudo, Ezio deve arrecadar dinheiro. As missões principais e paralelas são responsáveis por boa parte do montante, mas é possível furtar inocentes, revistar os bolsos de inimigos tombados em batalha e vasculhar os cenários em busca de baús escondidos -- para dar uma mãozinha, comerciantes locais vendem até mapas do tesouro.

Uma boa poupança garante ainda outros luxos, como tingimento de roupas para melhor camuflagem e a expansão de seu esconderijo na forma de um grande complexo comercial, e ajuda até na hora de criar um boa distração -- jogue dinheiro para o alto em uma rua cheia para ver o caos se propagar. As possibilidades, ainda que nunca exploradas com muita riqueza, ganham em volume e tornam a experiência bem mais rica e gratificante.

Assim como nos elementos mecânicos, a apresentação ganhou melhorias sem se distanciar muito do que foi visto no game anterior. Não há um salto brutal de qualidade nos gráficos ou áudio, apenas ajustes que o atualizam para o padrão atual.

Houve um claro cuidado na recriação da arquitetura da época, o que garante acessórios, roupas e construções muito bem detalhados. Por outro lado, a performance ainda não é a ideal, com carregamentos um pouco demorados e alguns momentos de lentidão durante ações mais rápidas. Pequenos pontos menos caprichados também incomodam, como alguns modelos de personagens um pouco brutos e grande repetição de obstáculos e prédios.

O áudio é discreto, especialmente no uso de efeitos sonoros, mas é essencial para a ilusão. A dublagem tem boa qualidade, com uso esperto de variação de sotaques para mostrar a diversidade da região, além da presença carismática da atriz Kristen Bell, que volta na pele da misteriosa aliada de Desmond, Lucy Stillman. A trilha pontua o drama de maneira eficaz, mas não chega a criar uma faixa marcante que defina a aventura.

Star Wars:The Clone Wars: Republic Heroes

"Republic Heroes" é o terceiro game inspirado na animação computadorizada para televisão "Star Wars: The Clone Wars", que relata eventos e batalhas travadas por Anakin Skywalker, Obi-Wan Kenobi e outros personagens do universo de George Lucas entre o segundo e terceiro filmes da série.

O jogo é claramente voltado para jogadores mais jovens, potencialmente o mesmo público do desenho animado e traz uma mecânica simples, de fácil compreensão.

É basicamente uma mistura entre elementos de plataforma e pancadaria, que repete a fórmula de maneira burocrática ao longo de seus 30 estágios.

Há pequenas variações e extras, como a capacidade de melhorar equipamento e controlar droids, mas nada que realmente consiga desviar as atenções da repetição preguiçosa. São sempre os mesmos inimigos a destruir e o mesmo tipo de plataforma para saltar,
um amigo pode se juntar a qualquer momento da aventura e tornar as coisas mais divertidas.

Battlefield 2

A série derivada "Bad Company" começou como uma aposta do estúdio DICE, criador da famosa franquia de tiro para PCs "Battlefield", em conquistar os jogadores de consoles, com direito inclusive a um então inédito modo de campanha para um jogador.

Mesmo pouco memorável, o jogo original foi divertido o suficiente para garantir uma continuação, que surge sem muitas surpresas, mas com qualidade bastante superior.

O modo para um jogador funciona de maneira mais eficaz do que no anterior. O foco ainda repousa nos comentários e piadas infames dos integrantes da tal Bad Company do título, uma companhia formada por soldados insubordinados e rejeitados que parecem uma mistura de personagens de "Os Doze Condenados" com "Esquadrão Classe A". O início, um prólogo passado durante a 2ª Guerra, dá indicações de que a história irá explorar um grande mistério. O humor não é para todos os gostos e pode distrair em alguns momentos, mas ao menos torna os protagonistas mais humanos e os desenvolve de forma mais natural do que no primeiro game.

O roteiro não planeja grandes momentos de suspense ou reviravoltas, mas o pessoal da DICE segura a adrenalina em alta com o típico sabor de "Battlefield". Espere encontrar mapas imensos, dezenas de inimigos e uma boa variedade de veículos para pilotar. Não há um único momento de descanso no jogo e, graças a uma excelente direção, não há uma única cena igual a outra, mesmo nos cenários mais banais.

A criação de tais cenários foi um trabalho primoroso dos produtores. Sons perfeitamente equilibrados, com amostras vindas de todos os cantos, além de efeitos de luz e névoa, por exemplo, estão entre os melhores já realizados nesta geração, incluindo aí alguns efeitos de física bem bacanas. Como "Battlefield: Bad Company 2" permite a destruição de estruturas, espere ver belas demolições que afetam também o desenrolar das partidas. Nada como derrubar o teto sobre a cabeça de um inimigo que se recusa a sair da cobertura.

O jogo roda com uma taxa de animação bastante estável e, na maioria esmagadora das vezes, apresenta visuais impressionantes, especialmente nas florestas, com tipos variados de folhagens e árvores que por muitas vezes chegam a lembrar o badalado "Crysis".

Multiplayer de qualidade

Claro que não dá para falar de algum jogo da série "Battlefield" sem mencionar o tradicional multiplayer da franquia. "Bad Company 2" não decepciona e oferece uma grande experiência nos mesmos moldes do original, com a escolha de uma entre quatro classes (antes eram cinco) de características diferentes, mas bem balanceadas. De acordo com sua performance no campo de batalha, pontos podem customizar seu personagem e deixá-lo bem mais interessante, diferente dos demais. E, claro, a possibilidade de pilotar helicópteros, tanques e outros veículos é sempre bacana e pode mudar o rumo de um conflito rapidamente, sem nunca tornar a experiência frustrante ou desequilibrada.

Em geral é uma experiência bem mais variada e surpreendente do que, digamos, games como "MAG" ou o poderoso "Modern Warfare 2". Como os mapas são maiores e existem mais variáveis nos conflitos, a sensação de renovação é constante e há maior perdão para os menos habilidosos ou novatos na ação, ainda que não se torne necessariamente mais fácil de se dominar. É clara a intenção de atingir um público mais amplo do que a concorrência e o game consegue com louvor.

Afro Samurai


Afro Samurai" nasceu nos mangás criados por Takashi Okasaki e se tornou uma febre nos EUA depois que sua adaptação para animê foi lançada por lá, com voz e co-produção do ator Samuel L. Jackson. A história do guerreiro com penteado afro em um Japão feudal alternativo cativou pela ação brutal, diálogos descolados, direção de arte diferenciada e uma trilha sonora saborosa, criada por The RZA, um dos cabeças do lendário grupo de hip-hop Wu-Tang Clan e autor de temas para filmes como "Kill Bill" e "Ghost Dog".

Não tardou para um jogo de videogame entrar em produção, com o trabalho sob responsabilidade da novata Surge e supervisão da Namco. "Afro Samurai, o game, reconta a origem do personagem principal, com sua busca de vingança pela morte do pai e a necessidade de enfrentar vários oponentes para ser considerado o "número 1" do mundo, com o mesmo estilo do anime. Pena que a mecânica não consiga se manter à altura da resto.

Estilo é tudo

Decapitação em câmera lenta

Ao ligar o seu console, a primeira coisa que chama a atenção é o estilo. "Afro Samurai" é um jogo charmoso, com visuais bastante caprichados. A Surge seguiu com a técnica de cell-shading, disfarça os modelos 3D poligonais para tentar criar a ilusão de que são chapados, como em um desenho 2D. O diferencial é que a equipe conseguiu aplicar texturas repletas de ranhuras, sombras e borrões que se assemelham a desenhos feitos à mão, como nos quadrinhos, criando imagens impressionantes. Os contrastes também adicionam muito ao clima, com vermelhos fortes predominando graças aos litros de sangue disparados, principalmente em sequências em que o cenário fica em preto e branco.

A dublagem e a música completam uma ambientação fenomenal. Samuel L. Jackson se divide entre Afro e seu companheiro Ninja Ninja acompanhado de Ron Perlman (de "Hellboy") e Kelly Hu (de "X-Men 2") , em uma sucessão de diálogos espirituosos e repletos de palavrões. A trilha, inspirada nos temas originais de The RZA, mantém a ação sempre no ritmo certo, com várias batidas funkeadas que raramente aparecem nos games.