segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Bioshock

"Bioshock" foi um ótimo motivo para comprar um Xbox 360 ou incrementar o PC no ano passado. Tido como um sucessor espiritual da cultuada série "System Shock", o jogo de tiro em primeira pessoa apresentou uma aventura envolvente e misteriosa, com um clima de ficção científica retrô. Agora, um ano depois, chega a vez dos donos de um Playstation 3 terem acesso a este novo clássico, com algumas ligeiras novidades.

Bem-vindo à Rapture

Em uma história ambientada no final da década de 50, o jogador começa a ação sobrevivendo a um desastre aéreo no meio do oceano e descobrindo uma imensa cidade submarina. Batizada de Rapture, foi fundada por um magnata chamado Andrew Ryan, que desejava criar ali uma sociedade desvinculada da civilização, livre das amarras políticas e morais da época. Um local perfeito para artistas, cientistas e pensadores exercitarem suas capacidades sem medo de represália.

Mas algo de errado aconteceu. O local está longe de parecer um santuário para o exercício da mente, agora carregado com um ar decadente e pesado. Seus grandes painéis de neon, seu sistema de som onipresente e sua mobília luxuosa permanecem, em grande parte, inalterados, mas escondem algo de sinistro. Cabe a você descobrir o que aconteceu e como sair dali, esbarrando nos maiores segredos do lugar - e também nos maiores habitantes também, os infames Big Daddies. E algumas de suas decisões irão definir como você verá o final do jogo.

Invasão de Big-Daddies

Embora comece de maneira humilde, com uma chave inglesa, logo seu arsenal melhora, não só com novas armas e upgrades, mas também com alterações genéticas chamadas de Plasmids. Sabe, nada mais interessante do que soltar raio em algum inimigo que está sobre uma poça de água, ou quem sabe dar um choque térmico no sujeito, ao congelá-lo, e depois fritá-lo rapidamente. E esta versão para Playstation 3 já traz todos os Plasmids extras que foram disponibilizados por download para as outras.

Pequenas Mudanças

Além da ação e da exploração, você deve se preparar para escutar muitos trechos em áudio e ler muita coisa em "Bioshock". A história é um componente importante da ambientação e todo detalhe conta, principalmente quando levamos em conta que o jogo traz suporte para troféus. Quebra-cabeças também fazem parte do pacote, e ganham uma melhor performance com o controle do videogame da Sony. A navegação pelos puzzles, que funcionam como um pequeno game de ligar conexões, é bem mais rápida agora. E para os mais bravos, há um novo modo de dificuldade, que torna os recursos mais escassos, tornando a ação bem mais estratégica e tensa, de certa forma, desfigurando a mecânica do jogo de um modo bem interessante.

Na parte técnica pouca coisa mudou, áudio continua impecável, com uma das melhores dublagens já vistas em um jogo, além de uma mixagem que molda o ambiente com uma textura de sons impressionante, por todos os lados, no caso de um equipamento ligado a um home theater de boa qualidade, os gráficos continuam empolgantes. Embora sigam o mesmo padrão das outras plataformas, às vezes com alguns efeitos de luz e sombra mais elaborados, vídeos com melhor definição e algumas texturas mais vivas.

Com trama e a sensação de envolvimento do game ainda impecáveis, conservando uma das melhores e mais nervosas aventuras dos últimos anos. o tempo foi suficiente para consertar os problemas e entregar uma versão definitiva de seu já clássico jogo Bioshock, ponto para a 2K Games que acertou mais uma vez.

Tekken 6

Depois de tanta demora, quase três anos desde o lançamento de "Tekken 5: Dark Resurrection", a tradicional franquia de luta 3D da Bandai Namco volta aos lares dos fãs para novos combates. Apesar de contar com gráficos de alta definição, ainda é o bom e velho "Tekken" de sempre, repleto de lutadores e uma mecânica atraente para novatos e veteranos no gênero.

O roteiro abre caminho para o modo de campanha de "Tekken 6". Apesar de vendido como grande novidade do título, funciona mais ou menos como uma evolução de minigames como "Tekken Force", apresentado em "Tekken 3". Nele, os novatos Lars e Alisa lideram um grupo de resistência com o intuito de peitar os avanços da corporação Mishima Zaibatsu, liderada pelo veterano Jin Kazama. A mecânica é a mesma de sempre, só que empregada em um estilo que lembra os antigos jogos de andar e bater dos anos 80 e 90, como "Final Fight". Não é nada profundo ou bem acabado, mas garante um respiro depois de vários duelos travados.

Para todos os gostos

Fora a campanha, "Tekken 6" conta com modos tradicionais como Arcade, Time Trial e Survival, além do Ghost Battles, que pede que o jogador escolhas os oponentes de acordo com seu nível de dificuldade, todos copiados de personagens customizados por outros jogadores ou pelo computador. Isto é possível pois o jogo premia os usuários, em praticamente todos os modos, com dinheiro que pode ser usado para comprar roupas e acessórios para os lutadores.

Poder é tudo no campeonato

Em todos, inclusive nos modos multiplayer online, a mecânica de "Tekken 6" permanece basicamente intocada. É atraente para novatos que não se preocupam em pressionar todos os botões sem muito cuidado, mas ao mesmo tempo abriga profundidade suficiente para atrair jogadores experientes uma vez que a riqueza de movimentos é sempre surpreendente.

Os controles se focam em quatro botões principais de ataques, dois para os braços e dois para as pernas. Há uma variedade absurda de golpes em combinação com o direcional, que também leva em conta a posição do lutador e sua postura. Combos, agarrões e outros elementos complementam o sistema, que conta com o maior número de lutadores da história da franquia. São 40 guerreiros, entre veteranos e estreantes, com destaque para a estranha ciborgue Alisa e o rechonchudo ex-campeão Bob.

Nos aspectos técnicos, "Tekken 6" mantém a linha tradicional da série. O design de personagens se mantém o mesmo, com modelos mais detalhados, as arenas também são sempre dramáticas, com muita coisa acontecendo; há quebra de paredes, chão e outras interações com o ambiente - uma das mais interessantes é em um cenário repleto de ovelhas, que podem ser acertadas durante a luta.

Em suma "Tekken 6" é um típico exemplar da série de luta 3D da Namco. A mecânica permanece praticamente inalterada, o que é bom para atrair novatos e alegrar os fãs de longa data. Há mais lutadores, opções de customização, arenas repletas de efeitos e alguns modos interessantes, ainda que a tal campanha principal seja rasa e sem muito apelo. Tecnicamente o jogo agrada ao ficar no padrão esperado do mercado.

Uncharted 2: Among Thieves

"Uncharted 2: Among Thieves" é o jogo que fãs sempre quiseram para Indiana Jones ou Lara Croft. A Naughty Doug, no entanto, deu uma das aventuras mais eletrizantes e sofisticadas do videogame para seu aventureiro malandro Nathan Drake, que antes estrelou apenas "Drake's Fortune", um dos primeiros sucessos exclusivos da plataforma Playstation 3.

Anos depois do game original, Drake se vê envolvido em outra grande caça a tesouro. Ele se alia a dois sócios para encontrar pistas deixadas pelo explorador veneziano Marco Polo a respeito da mítica cidade de Shangri-La e suas riquezas escondidas.

Claro que muitas traições, reviravoltas e combates acontecem no decorrer da trama, em situações que lembram bastante as vistas nos filmes do herói de chapéu e chicote criado por Steven Spielberg e George Lucas.

Como o primeiro, mas melhor

A mecânica não se distancia muito do primeiro exemplar da série e não apresenta grandes variações. Os usuários devem lutar contra inimigos armados, desarmar oponentes em situações furtivas e, claro, interagir com objetos para desligar alarmes, ativar portas e encarar armadilhas e desastres mortais espalhados pelos cenários.

O grande charme do game está na maneira como a equipe de desenvolvedores dosou suas características mecânicas em um primoroso trabalho de balanceamento. A aventura que não deixa o usuário parar para respirar em nenhum momento de ação e varia bem os momentos de exploração, combate e resolução de problemas ao disparar surpresas e improvisações a todo instante, como uma metralhadora giratória.

Detalhes que fazem a diferença

O mais bacana é que não estamos ainda na melhor parte. O grande trunfo de "Uncharted 2", o ponto que o coloca em um patamar acima dos concorrentes, está no excelente trabalho de caracterização dos personagens. Drake é um dos mocinhos do videogame mais humanos da história; é alguém com quem o usuário pode se identificar facilmente e se importar com ele, de verdade, não só porque ele é a ferramenta de trabalho para chegar ao final do jogo.

Logo no início, quando o encontramos ferido e preso a um trem destroçado no alto de uma montanha, já é possível perceber a fragilidade do personagem. Ao escalar o vagão e ver suas peças caírem no gelo infinito, notamos a animação genial que lhe dá vida, como quando o protagonista esfrega as mãos para se esquentar, manca de maneira irregular e se esgueira entre ferragens com uma sofrida expressão de dor. O mesmo vale para os personagens secundários, desde a sensual Chloe ao soldado inimigo número 76 que foi colocado lá só para morrer; todos se mostram mais cheios de vida do que muitos heróis de filmes animados de Hollywood.

O trabalho da Naughty Dog foi bastante sensível e eficaz. Tememos pela vida de Drake quando explosões o nocauteiam sem dó, quando armadilhas com lanças tentam perfurá-lo ou quando piratas tentam acertá-lo, também porque a equipe conseguiu criar situações sempre interessantes. A narrativa vai e volta no tempo com eficiência para dosar bem as revelações do script e utiliza ângulos de câmera e cortes dramáticos com precisão, o que causa grande impacto até mesmo em situações mais triviais dependentes de clichês do gênero.

Evolução tecnológica

Toda a imersão criada por "Uncharted 2" se deve ao grande avanço tecnológico. É quase covardia comparar os aspectos técnicos deste jogo com o original. Não há mais traços de tearing - aquele efeito que parece quebrar os polígonos da tela em giros rápidos de câmera - ou daquele aspecto plastificado dos personagens, para citar dois elementos. Tudo roda de maneira lisa, com riqueza de detalhes impressionante que tornam o mundo ameaçadoramente realista, especialmente em áreas abertas como montanhas geladas e matas.

Os efeitos complementam o trabalho de maneira eficaz e aproximam o jogo do cinema de forma inteligente. Há mudanças de foco de câmera, efeitos que borram movimentos do mocinho e todo tipo de barulhinho que um bom sistema de home theater - com suporte a áudio DTS 5.1 - pode reproduzir.
Multiplayer em ação

De quebra, o título traz uma efêmera integração com o Twitter, que permite que mensagens sejam publicadas para narrar o progresso do jogador, e um modo multiplayer online dos mais completos. Há a opção de encarar um modo cooperativo na pele dos mocinhos em missões diversas, que pedem trabalho em equipe para resolver problemas e dar cobertura em tiroteios, ou encarar até 9 adversários pela rede em várias modalidades.

Neste modo competitivo é possível participar desde obrigatórios Deathmatch ou Team Deathmatch a outras opções mais gratificantes, que imitam características clássicas como capturar bandeira ou pontos estratégicos de jogos online, com direito a opções de customização e ranking.

Tomb Raider: Underworld

Já tentaram até matá-la dentro de sua mitologia (e por meio de alguns jogos horrorosos), mas não teve jeito: Lara Croft se tornou um ícone tão poderoso do universo pop que, como tal, sempre arruma uma maneira de se reinventar e continuar sob os holofotes.

Tal renovação começou no último jogo, "Tomb Raider: Legend", sob as mãos da competente Crystal Dynamics, que botou ordem na casa, dando à heroína uma aventura digna e com controles bastante funcionais. Este novo "Tomb Raider: Underworld" é uma continuação direta daquele trabalho, preocupando-se em seguir amarrando algumas pontas soltas do último game e aperfeiçoar as mecânicas de combate e exploração.

Segredos do passado

Como "Tomb Raider: Underworld" continua de onde a história parou, há uma breve recapitulação dos eventos em um link no menu principal, que serve para ajudar os marinheiros de primeira viagem a se localizarem. É algo bem útil, uma vez que o jogo começa com a mansão Croft destruída por um incêndio sem maiores explicações e vai despejando no colo do jogador informações sobre o novo objetivo: encontrar a mãe de Lara, que supostamente está no reino perdido de Avalon, aquele mesmo do Rei Arthur.

Além de brincar com lendas celtas, o jogo também explora a mitologia nórdica quando a heroína percebe está em busca dos artefatos de ninguém menos que Thor, o Deus do Trovão, e, entre outros problemas, deve impedir que um poderoso artefato caia nas mãos da vilã Natla.

Esta mistura meio maluca, que envolve inimigos fantásticos e locações que vão da Inglaterra ao Nepal, sempre foi parte do imaginário da franquia, que às vezes se leva bem a sério . Para embarcar na trama então é necessária a mesma suspensão de descrença que nos faz acreditar que arqueólogos andam por cenários inóspitos vestindo shortinho e mini-blusa e não hesitam em matar animais em extinção ou vandalizar construções milenares.

Mergulho pelo oceano

Os fãs, pelo menos, nunca pareceram se incomodar e continuam babando por sua musa com cara de boneca Barbie e seios fartos. Claro, é necessário reconhecer que a Crystal Dynamics conseguiu deixar Lara com uma movimentação bastante suave e realística, em um trabalho primoroso de captura de movimentos. Isto é principalmente interessante em pequenos detalhes, na interação da personagem com os cenários e objetos, no que a produtora chama de WCLD (sigla para "What Could Lara Do?", ou em uma tradução livre, "O que Lara Poderia Fazer?"). Basicamente é a idéia de que o jogador tem controle intuitivo sobre a protagonista em todas as situações, como dar a ela a possibilidade de, ao utilizar duas armas, atirar em dois inimigos ao mesmo tempo ou mesmo utilizar itens do cenário de várias formas, além daquelas pré-determinadas pelos quebra-cabeças.

Por falar em tais desafios, eles continuam seguindo o mesmo padrão da série, mas se beneficiam dos cenários mais amplos, verticalizados, e da mecânica que deixa Lara bem mais ágil. É muito mais fácil de controlar pulos, escaladas e mesmo os momentos de confronto, sem a necessidade de se prender muito a esquemas antiquados, como o de segurar botões para carregar um pulo ou movimento com precisão milimétrica. Dentro da filosofia da criadora, você pode avançar pelos cenários de várias formas e, se ficar perdido, é possível apelar para um mapa 3D e um sistema de dicas no menu de pause. E, sobre tudo isto, há uma maior sinergia entre os momentos de exploração, resolução de problemas e combate, deixando a ação bem mais fluida e sem quebras de ritmo.

Pelas ruínas da selva

Com este crescente desejo por liberdade e do uso da intuição, é um pouco surpreendente que, para apimentar os combates, o jogo tenha apelado para uma idéia antiquada, no novo medidor da adrenalina. Ele funciona basicamente como uma grande câmera lenta, um efeito Bullet Time, que permite que Lara escape de armadilhas ou acerte seus inimigos com perfeita execução. Isto, somado ao vasto repertório de movimentos e grande arsenal acaba tornando Lara em uma mulher ainda mais poderosa.

O jogo conta com animações fantásticas, cenários amplos e ótimos efeitos de luz e água, para citar alguns pontos fortes, desses que fazem Tomb Raider: Underworld um dos melhores da série.

The Godfather 2

Em 2006, a Electronic Arts adaptou o clássico do cinema "O Poderoso Chefão" em um ambicioso jogo de ação 3D que seguiu de perto o enredo do filme e aproveitou algumas de suas lacunas para inserir o protagonista controlado pelo jogador. Tal fidelidade - contando, inclusive, com muitas vozes do elenco original - e novidades interessantes adicionadas a um esquema similar ao de "Grand Theft Auto", como a extorsão de comerciantes e o controle de pontos estratégicos pela cidade contra as famílias rivais, tornaram o projeto um grande sucesso.

Uma inevitável continuação entrou logo em produção, mirando na expansão de eventos inéditos na trilogia cinematográfica e novos elementos para tentar se afastar ainda mais da sombra do blockbuster da Rockstar.

Aqui a história toma várias liberdades em relação ao longa-metragem de 1974, alterando desde atitudes de personagens a sequências inteiras, o que vai de encontro à proposta do game anterior, que apenas tentou complementar o que foi visto no cinema.

Seja um instrumento de vingança

Não há menção ao jovem Vito Corleone e aos flashbacks. Aqui a história se foca nos planos de Michael Corleone para a família, em especial a expansão das atividades relacionadas a cassinos e jogos de azar em Las Vegas e outras regiões, por intermédio do gângster Hyman Roth. O jogo começa no trecho em Cuba, entre o aniversário de Roth e o Réveillon, quando estoura o golpe liderado por Fidel Castro e todos os estrangeiros são obrigados a fugir desesperadamente do país.

Neste ponto a história do videogame se intromete, colocando Aldo, o protagonista do primeiro jogo, junto aos Corleone em Havana. Ele acaba tomando a postura cautelosa que, no filme, seria a de Michael apenas para ser assassinado nos primeiros minutos, sem nenhuma cerimônia. Assim, o caminho fica aberto para seu braço direito, Dominic, que passa a cuidar dos negócios de Aldo em Nova York enquanto o resto da família se volta para outros problemas.

O esquema do jogo permanece basicamente o mesmo do anterior, com algumas adições importantes. Quem não jogou o original, deve se preparar para correr pelos cenários em busca de comerciantes para extorquir até o completo domínio dos bairros, expulsando as famílias rivais do território.

A diferença é que agora as ações são um pouco mais estratégicas. Ao controlar pontos de atuação semelhante - como tráfico de armas ou prostituição - você forma cartéis que garantem bônus interessantes, como coletes à prova de balas ou carros blindados. Seus inimigos também contam com algumas dessas vantagens, então também se torna necessário controlar capangas para vigiar suas propriedades.

A chave para o sucesso dos Corleone

Tudo isso pode ser gerenciado em uma nova tela chamada "Don's Vision". Ali é exibido o status de sua organização, inclusive o ranking dos membros dela. Isto é importante para manter o controle do grupo, uma vez que agora se torna necessário contratar guarda-costas para as investidas. Há médicos, incendiários e engenheiros - entre várias outras especialidades - prontos para seguir seu passos e atuar em momentos bastante específicos. Caso alguém não dê conta do serviço, é possível também melhorar suas características. Tudo isso é bem interessante e cria uma maior profundidade na ação, que sempre pareceu um pouco repetitiva no original. É bastante divertido ver rivais perdendo terreno e ter uma visão global de seu território.

O aspecto multiplayer possuí alguns modos interessantes a serem explorados, como a disputa entre chefões por território e os mata-mata entre times de especialistas.

Prince of Persia

Depois de emendar três jogos rapidamente na seqüência, a Ubisoft temeu por ter exagerado na dose ao revitalizar o clássico de Jordan Mechner, "Prince of Persia". Foi uma preocupação honesta, afinal, o protagonista do leve e colorido "Sands of Time" logo se dividiu e criou um alter-ego sombrio em "The Warrior Within" e "The Two Thrones", para o desespero dos puristas, que temeram por uma banalização da franquia. O alerta foi dado e a empresa colocou o herói persa na geladeira por algum tempo.

Seu retorno não poderia acontecer em um momento melhor. Afinal, há novas e mais poderosas plataformas no mercado para darem mais fôlego às aventuras do Príncipe e começa também o burburinho em torno do longa-metragem baseado na série, que chega às telas em 2010. Assim, a Ubisoft resolveu recomeçar a saga do herói - varrendo para debaixo do tapete toda aquela baboseira de guerreiro malvadão heavy metal - ao resgatar elementos que foram mais marcantes nos jogos anteriores, tanto os da trilogia "Sands of Time" quanto do original para PC - sob o simples título de "Prince of Persia".

Parceria infalível

A história do novo jogo é bastante simples. O Príncipe está voltando de uma de suas aventuras quando perde seu jumento que carrega todas as riquezas recém-adquiridas. Em busca do animal, o herói acaba encontrando novos problemas na pele da bela Elika, uma princesa em fuga. A moça, que conta com alguns poderes mágicos surpreendentes, está em uma corrida para tentar manter Ahriman, uma criatura que pode trazer corrupção à terra, presa em um templo próximo dali.

Um pouco malandro, com jeito de vagabundo, o Príncipe resolve então seguir a beldade por pura curiosidade e acaba se envolvendo na confusão. Com o fortalecimento de Ahriman, os dois precisam explorar as regiões em torno do templo para purificar o solo, canalizando o poder da terra até à construção.

Mundo aberto

Mesmo com pouco tempo para justificar o entrosamento entre os dois no roteiro, na tentativa de manter a ação rolando, a química entre os dois personagens se mostra o grande trunfo do jogo. Elika é provavelmente um dos personagens controlados por computador mais espertos e carismáticos dos últimos tempos. Seu papel é fundamental no jogo em todos os momentos - ela pode ajudar o protagonista a realizar combos, a dar saltos duplos e até mesmo evita que ele morra. Isto mesmo, você nunca morre porque ela sempre dá um jeitinho de te salvar, não importa qual seja a situação.

Claro, é um artifício que a Ubisoft Montreal utilizou para deixar jogadores casuais menos frustrados, mas que acaba ajudando no ritmo do jogo. Como você não tem medo de encarar uma tela de Game Over a todo pulo mal calculado, fica mais corajoso para explorar os amplos cenários, ainda mais que agora o jogo traz uma abordagem mais aberta, em que você pode escolher a ordem dos cenários a desbravar.

A abordagem amigável para todos os públicos, Claro que o grande barato da série é a exploração dos cenários e os quebra-cabeças, mas simplesmente parar a ação para enfrentar um inimigo de cada vez, sem medo de morrer ou fazer nada de errado, não acrescenta muita coisa na experiência. Ainda bem que a equipe de desenvolvedores é bem experiente e consegue pontuar a aparição dos inimigos de maneira bastante inteligente, dando uma sensação de urgência e certo suspense quanto ao desfecho das batalhas, criando ao menos certa curiosidade em relação ao que pode acontecer durante os duelos.

Mecânica tradicional

Apesar da abertura da exploração e da grande presença de Elika, os controles de "Prince of Persia" são bastante parecidos com os da trilogia anterior. Você salta, escala barrancos, gira sobre postes ou hastes e corre por paredes. Tudo como antes, só que em um esquema muito mais leve e intuitivo, com comandos que não precisam de muito tempo de carregamento e que perdoam alguns leves desvios ou pequenos erros de pressionamento.

Os combates seguem a mesma diretriz, com ataques com espada e com a nova manopla do herói. Há também um botão para defesa e outro para chamar Elika para a briga, e combos são realizados com pequenas variações de toques. Não há muito desafio, principalmente quando aparecem indicadores avisando sobre o melhor momento para defender, mas ao menos as animações criam a ilusão de que as batalhas são sempre grandiosas e disputadas.

Luta contra as trevas

Por falar em animações, a apresentação é o fator que deve causar o maior estranhamento. Com um visual no chamado cell-shading, que mascara os polígonos tridimensionais para que pareçam desenhos animados, "Prince of Persia" não parece nem de longe com os anteriores. É algo bacana para dar um ar de novidade, principalmente com o interessante design de personagens, mais sujo e orgânico, beneficiado pelas boas animações. Tal cuidado também se reflete nos cenários, que são bastante distintos e que sofrem algumas transformações impressionantes durante suas purificações, disparando luzes e borrões para todos os lados, como se estivessem sendo redesenhados diante de seus olhos.

Diante da exuberância visual, o áudio acaba ficando em segundo plano. É uma trilha bem discreta, que pontua bem momentos mais tensos ou dramáticos, mas que é pouco utilizada em outros trechos mais triviais. Já a dublagem é mediana, especialmente a do herói, ainda que os diálogos tenham sempre boas intenções ao desenvolver uma maior dinâmica entre os protagonistas, grande trunfo do título.

Terminator: Salvation

Com Schwarzenegger como governador da Califórnia e o terceiro filme causando controvérsia entre os fãs, os direitos da franquia "O Exterminador do Futuro" foram comprados pela produtora The Halcyon Company para passar por uma reforma completa. Assim, nasceu o projeto do quarto filme da série nos cinemas, "O Exterminador do Futuro: A Salvação", que explora o futuro apocalíptico que os Connor lutaram tanto para evitar nos capítulos anteriores.

Como tudo é novo, o papel de um John Connor mais velho caiu nas mãos do Batman em pessoa, Christian Bale. Isso no filme, pois o jogo "Terminator: Salvation" não conta com a participação do astro, o que já pesa contra - somente o rapper Common e a atriz Moon Bloodgood aparecem em ambas aventuras, na pele dos soldados Barnes e Blair, respectivamente. Sem um herói carismático, o game sofre ainda com um design genérico e performance precária.

Antes do filme

O enredo do game não tenta recriar os eventos do filme, apresentando uma história inédita passada alguns anos antes. Connor, aqui, ainda não é o lendário líder da resistência e precisa sobreviver a diversas situações perigosas e provar seu valor na tentativa de salvar alguns companheiros presos em uma fortaleza da Skynet. Isso tudo dura umas quatro horas - com suporte a um modo cooperativo local - e não parece ter peso considerável dentro da mitologia da série, o que se torna uma grande decepção para fãs.

Cenas impressionantes de ação

Terminator é uma aventura em terceira pessoa, com elementos de jogos como "Gears of War". Você corre, atira e usa muros, paredes e outros elementos do cenário para se proteger de ataques inimigos, com objetivos diferentes, como fugir de exterminadores ou abater veículos rivais. "Terminator: Salvation" ainda pode trazer boa diversão para os mais vidrados na série, com sua ambientação fiel ao design original do filme, além de legendas em português nos diálogos.